19 de junho de 2012

EXERCÍCIOS DE INVISIBILIDADE

{ligiaprotti}
Hoje permiti que o desejo caminhasse através de mim. Dava passos leves de modo que senti a pele no pontiagudo dos dentes.

Vivendo a clareza na incomunicabilidade -citando aquela do cigarro sempre nos dedos- pousamos para o pátio sob o céu berinjela. Éramos pedras soltas daquelas paredes, tradições díspares, filhos de décadas distintas mar a dentro na atmosfera da noite de verão jasminada -citando o vampiro daquele que canta e compõe - embora fosse outono.  Florescíamos sorrisos ensaiando exercícios de invisibilidade onde não pudéssemos ser vistos juntos, embora a dois, lado a lado, perfilados.

Emoldurando a existência finita de afetos que desde há pouco destila visões de uma mesma paisagem, atrás de nós, a janela. Regorgitando símbolos flutuantes como os barcos que no fogo pairam antes de sucumbirem ao tempo único no instantâneo de um só corpo - cinética altíssima, quase gasoso - instante que agora me escapa, éramos olhar escuta silêncio. Breves feito vento.

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